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A Pressão arterial
(PA) é a pressão exercida pelo sangue em movimento sobre as paredes das artérias. Diferenciamos dois valores, ambos expressos em milímetros (ou em
centímetros) de mercúrio (120 x 80 mmHg = 12 x 8 cmHg). O valor sistólico (o mais alto) representa a pressão quando o sangue é expulso do coração para aorta, logo após sua contração (sístole). O valor diastólico (o mais baixo) representa a pressão na fase de relaxamento do músculo cardíaco (diástole).
A PA
normal se situa entre 140 x 90 e 90 x 50 mmHg. Existem flutuações fisiológica da PA: ela costuma ficar mais baixa após as refeições, por exemplo, enquanto sua elevação é uma resposta normal do organismo ao estresse e à atividade física.
A pessoa que sofre de hipertensão arterial, no entanto, tem uma pressão alta mesmo em condições de repouso, consistentemente igual ou acima de 140 x 90 mmHg, segundo definição da Organização Mundial de Saúde.
Ela é classificada como leve, moderada ou severa em função dos níveis pressóricos aferidos. Existem também casos nos quais apenas ocorre elevação da PA sistólica, a PA diastólica mantendo-se em níveis normais: é o que chamamos de “hipertensão sistólica” .
Doença de grande prevalência no mundo ocidental, a hipertensão arterial acomete cerca de 20 % dos adultos; sua incidência é maior nas pessoas de meia idade e nos idosos, entre os quais a prevalência se aproxima dos 60 %. A hipertensão é mais freqüente na população de raça negra. E uma doença que pode ser secundária a distúrbios endocrinológicos ou renais, mas na grande maioria dos casos não existe causa definida para explicar a doença: ela é então considerada primária.
Muitas pessoas hipertensas ignoram seu problema, porque a hipertensão raramente provoca sintomas: por isso, pode ser considerada uma doença “traiçoeira”, que às vezes só é descoberta após muitos anos de existência, quando as complicações aparecem. Por isso, é imprescindível fazer exames médicos regulares para detectá-la o mais cedo possível.
Como a PA pode elevar-se em conseqüência de stress, o médico deve ter certeza que o paciente apresenta níveis altos de pressão em condições normais, na sua vida quotidiana, e não apenas no consultório médico (hipertensão do jaleco branco), antes de firmar o diagnóstico. Este não pode ser feito sem a verificação de PA elevada em pelo menos em três ocasiões, o paciente estando em repouso.
Por isso, uma tabela de PA, com anotações de diversas
aferições da PA durante alguns dias, em horários diferentes, pode permitir a verificação de forma mais exata da presença de hipertensão arterial em condições habituais. Outra possibilidade é a realização de um exame chamado MAPA, no qual um aparelho portátil que verifica a PA do paciente durante 24 horas é instalado.
Como consequência, a hipertensão aumenta o depósito de gorduras do sangue sobre as paredes das artérias, fenômeno conhecido como
aterosclerose, o que pode levar a diversos problemas vasculares, como infarto de miocárdio, diminuição da circulação em membros inferiores, insuficiência renal, distúrbios na retina ou ainda acidente vascular cerebral (derrame), quadro neurológico gravíssimo.
O tratamento da PA comença pela modificação do estilo de vida: são recomendadas a prática regular de atividade física, a perda de peso e a diminuição da ingesta de sal. Além disso, deve-se diminuir o consumo de álcool e de gordura animal, e os tabagistas devem imperativamente cessar de fumar.
Estas medidas geralmente promovem a diminuição significativa da PA. Quando infelizmente elas não são suficientes, é preciso associar um tratamento medicamentoso. A escolha da droga deve ser individualizada, pois ela é influenciada pelas doenças prévias ou co-existentes no paciente, os medicamentos em uso, os níveis de colesterol, o risco de hipotensão postural ou ainda a presença de incontinência urinária .
O controle eficaz da PA diminui significativamente a ocorrência de infartos do miocárdio, acidentes vasculares cerebrais e insuficiência cardíaca.
No Brasil, morrem anualmente 300.000 pacientes em conseqüência de doenças cardiovasculares. |